É noite em Belém, feliz Natal!

É noite em Belém.

Das ruas ecoa o alarido do movimento de corpos cansados que outra coisa não sustentam a não ser a pressa.

Pressa por quase tudo: lugar, conforto, segurança...

Hospedarias lotadas dispensam pessoas transformadas em clientes. Numerosos clientes. Interessados sempre em mais. Do mesmo.

Pobre hospedeiro. Teria recusado o ingresso de uma família prenhe, se tivesse consciência de que a prenhez era do Santo?

Teria consciência, a estas alturas, de qualquer coisa além do ávido desejo de lucro? Teria tempo para solidariedade?

Tamanha movimentação não fora, contudo, despropositada. Nem ocorreu sem patrocínio.

A ordem caótica daquela noite em Belém respondia a um soberano. César. Augusto.

Seu decreto imperial atravessara fronteiras longínquas. Não apenas geográficas.

Seu desejo insano de manipular mentes e corações manifestava-se na sutileza de conquistar as agendas.

Indicar a conduta. Determinar o ritmo. Estabelecer o prazo.

Morrestes, César? Morrerás um dia...

Por enquanto, ainda se sente o cansaço e a pressa das noites em tuas cidades.

Tuas hospedarias travestiram-se de portentosos centros, nos quais clientes agora têm direitos, mas não chegam a ser tratados como pessoas.

A solidariedade é tão estranha quanto é diversificada a oferta de mais, do mesmo.

Mas, espere!

Eis que o choro estridente de uma criança interrompe a agitação patrocinada por ti.

Vem de longe. Da estrebaria. Do não-lugar.

Não foi contado por ti, Aquele que é maior do que tu.

Não cabe no teu mundo, quem governará o Universo.

Nasceu o Caminho que transgride tuas rotinas.

O menino que invalida teus decretos.

O Santo que despreza o teu metal.

A Luz que dissipa as trevas de tuas noites.

Libertos, pois, do medo e da ansiedade provocados pelo pavor das tuas diferentes faces, confessamos na intimidade de consciências já não manipuladas por ti:

ELE está CONOSCO!

 

Feliz Natal. 

 

 

Com Estimas

Rev. Mantin Barcala

Pastor na IM em Registro/SP